Tenho
14 anos e não descobri metade das coisas que busco descobrir. Vivo na
dúvida se quero descobrir o mundo e assimilar cada detalhe, ou se quero ser
tradicional: ir pra faculdade, construir uma família e envelhecer com filhos e
netos. É lógico que na primeira opção também dá pra fazer isso, mas o que quero
dizer, é que ainda não descobri o tipo de vida que quero ter. Não sei se quero
movimento ou tranquilidade. Não sei se quero me aventurar por aí, ou só ir pra
uma faculdade. Não sei se quero viajar “infinitamente”, ou se só quero terminar
a faculdade e me casar com o amor da minha vida (e cá entre nós, sabe-se lá por
quanto tempo ele terá essa tarja).
Admiro
pessoas que fazem escolhas com convicção. Admiro pessoas que não voltam atrás,
e mesmo quando voltam, conseguem – de um jeito ou de outro – recomeçar.
Dificuldades aparecem em todo lugar, o que muda é o modo como você as enfrenta.
Sei
que mudar é normal, e que a gente deve sempre pensar na nossa felicidade, acima
de tudo. Ah, se a vida viesse com um manual… Talvez uma página ou outra com “ação
e consequência“. Algo do tipo: “se você ficar em casa: opção 1 = vai perder
aquela festa que seus amigos esperam há meses, opção 2 = vai poder se dedicar inteiramente
pra alguma coisa que tá planejando há tempos”.
Acontece
que cada evento que a gente vai, cada escada que a gente sobe, ou cada pessoa
que quer ir embora e a gente pede pra ficar, nos marca de alguma maneira. A vida, em geral, é feita de marcas. Elas nos fazem nós. Pessoas só constituem quem somos
se nós deixarmos. Não dá pra dizer que você vai se lembrar pra sempre do
atendente daquela loja lá na esquina, isso porque pessoas infinitamente mais
importantes na sua vida virão. Não me leve a mal, mas se você não esqueceu o
tal carinha do ap. 201 ou do bairro ao lado, significa que, de alguma maneira,
ele mudou e construiu mais um pouquinho da sua personalidade.
O
primeiro cara que você beijou pode não ser o que mais te marcou, mas apesar
disso, de não ter deixado marcas profundas e internas, alguma coisa ele deixou:
seja um sorriso no rosto ou um “até logo“.
Mudanças
são involuntárias, e sabe-se lá quantas vezes na vida ainda vamos mudar de
personalidade ou opinião. Mas no fundo, a famosa “essência”, que cada um carrega com si mesmo, não se altera muito:
só é acrescentada com experiências novas. Ah, e acrescenta com pessoas,
digamos… essenciais.

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